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| Geraldo Borges aguarda o hexa da Seleção Brasileira |
Geraldo Borges Santos*
Escrevo quando o Brasil ainda disputa a Copa Mundo, antes do jogo com a Costa Rica. Todos torcem para ser Penta. Tenho a prazerosa sensação de já ter passado por isto. É verdade!... A Minha geração de itabunenses já sentiu este gostinho. Campeã... Bi... Tri... Tetra... Penta... Hexa... Isto mesmo!... seis vezes campeã. Estou falando do campeonato intermunicipal de seleções de futebol da Bahia, nos anos dourados. Era a nossa copa... o nosso orgulho...
A seleção de Itabuna se constituía no melhor time de futebol amador do nosso Estado. O esquadrão azul e branco fazia tremer o chão da praça. Dentro ou fora de casa, meu time era daqueles que ganhava sempre. Perder? Nem pensar!... Nossa preocupação era uma só: saber de quanto seria o placar.
Costa e Silva foi o primeiro e bom técnico. Gil Neri de Souza continuouo trabalho dele à frente da nossa seleção. Pessoa simples, dirigente que nunca complicava. Praticante da máxima que os técnicos brasileiros teimam até hoje em desrespeitar: “SELEÇÃO NÃO É LUGAR DE EXPERIÊNCIA. ESCOLHE ONZE E BOTA PRÁ JOGAR” - frase famosa do técnico do Botafogo do Rio e depois da seleção brasileira, João Saldanha – o “João sem medo”:
Tivemos craques excepcionais: o magnífico Tertú. Os incríveis Santinho, Tombinho, Ronaldo Dantas, Francisquinho, Piaba e o extraordinário Abiezer, do alto de suas pernas longas e finas, mas de uma eficiência inacreditável. O melhor ponta esquerda que já jogou neste país: Fernando Riella. Jogador que partia prá cima do marcador e fazia fila, driblando um... dois, três... O terror dos laterais direitos. Na hora da falta ele cobrava com precisão. Na hora do ataque adversário, ele defendia.
Ao longo das seis conquistas tivemos outros grandes craques: os Goleiros: o preciso Carlito; o seguro Asclepíades; o calmo, frio e espetacular Plínio; o elástico Luiz Carlos; os zagueiros: Carlos, Humberto, Nocha, Zé David, Almir, Albérico, Leto, Hamilton, todos da confiança da torcida; os meio-campistas: Waldemir Chicão e Carlos Riella, dois clássicos maestros; o determinado Aranha; o catimbeiro e também clássico Tombinho; Bel, que categoria!... Os eficientes atacantes: Carlos Barros; Jonga, Gagé; Zequinha Carmo – nosso artilheiro que recebeu na Fonte Nova a medalha de campeão das mãos do Presidente Juscelino Kubistchek; o estupendo Santinho – cobrador de falta de precisão invejável; os grandes artilheiros Nininho, Florizel, Pinga,
Marinho; Nelson; Jurandir, um ponta esquerdo eficiente e rápido, algumas vezes reserva de Fernando Riella, a quem já me referí e que é um caso à parte. Todos craques. Todos eficazes, determinados, vencedores...
E as viagens para acompanhar o time? Ah!... isto também é inesquecível!... A torcida fiel acompanhava a seleção para onde ela fosse. Afinal, cada jogo era uma festa.
Como era bom ir a Feira de Santana, Santo Amaro, São Felix, Alagoinhas e trazer mais um título. Como era bom encontrar por lá os amigos que estudavam em Salvador, mas que também corriam atrás da camisa azul e branco. Como era bom dividir aquela alegria com todos. Com os nossos imbatíveis craques voltando para Itabuna e percorrendo a Avenida do Cinquentenário em carro aberto.
Ganhamos o hexa campeonato em Alagoinhas: 1x0, gol de Pinga, de cabeça. Terminou o jogo e a festa começou, lá mesmo.
É bom lembrar que a festa havia sido preparada para comemorar o título da seleção deles. Afinal, Alagoinhas empatara em Itabuna, no jogo de ida. Murilo Cavalcante, o então Prefeito da chamada “terra da laranja”, num gesto bonito, de bom anfitrião, não perdeu a oportunidade... e transformou a festa deles numa festa nossa... Abriu o clube social e acolheu a torcida itabunense com um grande carnaval. E os itabunenses lavaram a alma... Por dentro e por fora.
É muito bom ser campeão!... É bom demais ser Penta!... Melhor ainda é ser Hexa. Os itabunenses que o digam.
*Ex-narrador esportivo, jornalista, advogado e professor universitário.

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