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| Frei Justo (em pé), Padre Nestor Passos (E) e o presidente do Rotary, Adélcio Benício (C), debatem a educação dos jovens (foto Diário de Itabuna) |
Por
Walmir
Rosário*
Na
década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as
instituições de ensino implantadas ainda não eram capazes de atender toda a
demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois
as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas
dos governos estadual e municipal.
O
único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular
seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as
séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –, e as famílias que
tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.
No
bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o
atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o
ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada
ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível
à maioria das famílias.
Com a
chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa
Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com
isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-os à educação
formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada
Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.
Um
destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana,
rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o
que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma
simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de
caráter aos católicos praticantes.
Para
os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na
formação dos jovens, até porque além do caráter, a liturgia católica dependia
da compreensão do Latim, principalmente nas missas. É que elas eram celebradas
por meio da última flor do Lácio, como dizia o poeta Olavo Bilac, no soneto
Língua Portuguesa.
Com a
Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola entrou na ordem do dia. Em 23 de setembro de
1958 Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No
encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho,
presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram
ciência do grande projeto de educação.
Aos
rotarianos, o frade fez um levantamento das obras empreendidas no bairro da Conceição,
expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja
Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido
à falta de atenção às crianças, muitos delas desviadas do bom caminho, um dos
grandes problemas.
Daí é
que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas
reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhida do povo generoso
de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos
padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e
importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos.
E o
frade apresentou uma maquete aos rotarianos, mostrando o projeto de uma escola, de autoria do arquiteto João Maschesini. O colégio seria uma contribuição importante a ser
dada a Itabuna e ao bairro da Conceição pelos frades Capuchinhos no
Cinquentenário de Itabuna, no ano de 1960. Presente melhor não existiria, pois
além da religião, promovia a cultura e a sabedoria.
Maquete do futuro Colégio São José, no bairro da Conceição
(foto Diário de Itabuna)
E Frei
Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o
Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental
I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o
curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as
crianças no contraturno da sala de aula.
E
para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos
divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus
financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajuda prestada pelos expoentes
da sociedade. A apresentação encantou os rotarianos, que prometeram doações e
ainda por cima, a mobilização da sociedade.
Só
que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já
as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação
infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos
financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um
forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.
Embora
as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido – segundo alguns
pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção
e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de
Itabuna. Um avanço a ser reconhecido na história de Itabuna.
*Radialista,
jornalista e advogado.

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