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| Aécio Santos (E) aconselha o médico Amilton Gomes e os jornalistas Kleber Torres, Vili Modesto e Walmir Rosário |
Por
Walmir
Rosário*
Estou meio embaraçado (em
português, não em espanhol) com a chegada das campanhas eleitorais e sinto
falta dos bate-papos sobre os candidatos com uma pessoa pra lá de especial. Em
nossas conversas, que variavam de uma livraria, banco de jardim, uma esquina da
avenida do Cinquentenário, ou mesmo sorvendo as deliciosas batidas servidas
pelo Caboclo Alencar, no ABC da Noite.
O local pouco importava – o
que valia mesmo – era a análise pronta e acabada com a marca da sabedoria do
mestre Aécio José dos Santos, herdeiro da mais tradicional família Santos, em
Itabuna, Bahia, Brasil, Portugal e Algarve. Pessoa do mais fino trato, não jogava
conversa fora, principalmente quando o assunto são os bens públicos, os fatos
políticos.
E minha preocupação tem
muito sentido, pois o meu Guru político deixou Itabuna há certo tempo e hoje
reside em Salvador. Jamais conversei com ele o motivo da troca de ares,
substituindo o cheiro do mel e do grude do cacau pelo ar salitroso da capital
baiana. Mesmo sem ter a mínima ideia de sua residência, suponho que tenha
preferido a proximidade da praia para os passeios diários.
Mas vamos aos fatos: A esta
altura do campeonato, com os políticos gastando seus preciosíssimos tempos para
encontrar as bases – suponho que nós – temos que estar com a conversa na ponta
da língua para trocar ideias com eles. E é aí onde reside o problema: conversar
o quê? Quais os assuntos? Discutir temas propostos pela Direita ou da Esquerda?
Quem sabe o Centro...
Nas conversas com meu amigo
Aécio Santos eu já teria todos esses temas mastigados, saberia quem era quem e
os assuntos preferidos deles. Afinal, não ficaria bem recebermos os
representantes do povo homiziados nos palácios de Salvador e Brasília com a
cabeça vazia, apenas cumprimentando com um oi, de forma chocha, sem graça, o
que causaria uma péssima impressão.
O que seria diferente se
meu Guru Aécio, pessoa de finíssimo trato, estivesse aqui já teria me repassado todas as qualidades e
defeitos dos nossos nobres representantes e não acometeria um deslize qualquer
como mais um eleitor desinformado. Com certeza Aécio me instruiria sobre a vida
pregressa do ilustre político e qual o seu escore nas promessas e afazeres
entre o eleito e eleitor.
Pessoa instruída, Aécio era
(e ainda é, tenho certeza) um craque, sobretudo no tema política. E nunca abriu
mão de suas convicções, das quais as tomavam como norte, sem sair da linha.
Funcionário de carreira do famoso Banco do Brasil, tinha o chamado Livro Lei da
instituição na ponta da língua e ai de quem, porventura lhe apontasse o caminho
errado.
Sei de alguns políticos que
não eram muito dados à amizade com meu Guru, por coisas simples, comportamentos
banais na política, a exemplo de prometer e não cumprir. Sempre que as
ocupações profissionais e familiares permitiam, e dedicava seu tempo a ouvi-los
em entrevistas em rádios, tevês, jornais e blogs com a maior atenção. A alguns
fez cobranças, mas ao que parece não gostaram, daí as diferenças.
Certa feita, ao ver na
televisão um político citar um equipamento público de saúde como a “rainha da
cocada preta”, discordou veementemente e, sem alarde, avisou aos seus amigos se
tratar de uma reles inverdade (fosse hoje fake news). Não sabia o alcaide que
ele teria se hospedado dias antes no hospital para um pequeno tratamento e foi
obrigado a comprar roupa de cama, além de esparadrapos e alguns medicamentos.
Eu, que em tempos não tão
pretéritos fazia da política parte do meu mundo profissional, atualmente tenho
receio de trocar impressões sobre candidatos, haja vista a violência das
respostas. Foi o tempo em que sentávamos em uma mesa de bar para tomar
conhecimento das atividades políticas partidárias com adversários civilizados.
Hoje, pelo que tenho visto, me falta coragem.
Esse comportamento atual me
traz lembranças dos convescotes em bares e restaurantes, nos quais todos
falavam e ouviam, de forma educada, apesar de frequentes exaltações. Nesses
casos, valiam a inteligência e perspicácia do mestre Aécio em continuar o
bate-papo citando parábolas, um santo remédio para aliviar as tensões entre os
adversários.
E a cada escorregada de um
ou alguns dos participantes das mesas redondas informais, da forma mais gentil
oferecia a sugestão de um determinado livro para que pudesse abalizar seus
comentários. Como não me considero com tal capacidade para tanto, resolvi
abandonar as conversas e debates políticos em público para evitar atritos com
os meus considerados.
Pelos meus cálculos, não
teremos o Guru político Aécio José dos Santos, um cavalheiro de grande
sabedoria e astúcia, para nos acompanhar nesta seara política, sigo os
conselhos de alguns amigos mais experientes, que recomendam ouvir mais e falar
menos. Afinal, temos dois ouvidos e uma boca. Só me resta matar a saudade do
Guru com os ensinamentos de outrora.
*Radialista,
jornalista e advogado.

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