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| José Maria Almeida de Santana, multimía e dirigente esportivo |
José Maria Almeida de
Santana, Joseph Marie, ou simplesmente Zé Maria. Assim era esse ilheense que
desde cedo se notabilizou pelo destaque de suas publicações nas emissoras de
rádio, jornais e, posteriormente na televisão. Mas essa notoriedade ainda era
muito pequena para quem se preparava com afinco para exercer qualquer
atividade.
Desde cedo sua paixão pelo
futebol era reconhecida. Coisa que somente um exame de DNA pode diagnosticar.
Herança de seu pai, Ruy Santana, técnico e diretor técnico do Colo-Colo de
Futebol e Regatas. E Zé Maria cresceu acompanhando os grandes feitos do
Colo-Colo ganhando campeonatos. De uma só vez quatro seguidos. Tetracampeão
amador de Ilhéus.
Ainda jovem ingressou no
radialismo esportivo, apresentando um trabalho sem firulas, porém com bastante
informação, resultado de apuração dos fatos, das conversas com dirigentes e
jogadores. Era um repórter com fontes consagradas, aquelas que costumam
proporcionar grandes “furos”, como se diz no jargão jornalístico.
José Maria não se limitava a
dar notícia, mas analisar os fatos, contar uma história daquelas bem contada e
comemorar os resultados positivos. Tanto é que trabalhou nas várias emissoras
de Ilhéus, a última delas a Grabriela FM. Seu profissionalismo o fez
ultrapassar os limites (pequenas fronteiras) de Ilhéus e atuando também em
Itabuna, indo além do estado da Bahia.
Como um bom profissional de
comunicação soube estar atendo às novas tecnologias e se atualizar constantemente,
com o aparecimento das redes sociais. Eu mesmo tenho uma dívida com ele e
Emílio Gusmão, quando me comprometi a participar de um podcast para falar sobre o futebol hexacampeão da Seleção de
Itabuna e a entrada do futebol das cidades no profissional.
Infelizmente não pudemos
concretizar, principalmente agora que José Maria nos deixou neste fatídico 30
de agosto de 2026, para tristeza de sua legião de amigos e seguidores, aos 72
anos de idade. A comoção foi geral em Ilhéus, Itabuna, Salvador, Belo Horizonte
e onde mais José Maria teve a oportunidade de demonstrar sua competência na
comunicação e no futebol.
Sinceramente, não sei qual
seria o maior feito na história profissional de José Maria, pelos resultados
impecáveis. Entretanto, acredito que os ilheenses devem enaltecer sua
administração à frente do Colo-Colo. Em 1992 Zé Maria reuniu um grupo de amigos
para reerguer o Tigrão ilheense. A proposta era fazê-lo brilhar como campeão
baiano de profissionais.
E, aos poucos o trabalho
começou a apresentar os resultados planejados. Em 1999 o Tigre rugiu mais alto
e se sagrou Campeão Baiano da Segunda Divisão. Era o fim do ostracismo e o
início de uma nova fase, a vencedora. Em 2006 veio a grande consagração, após
vencer o Vitória e se tornar Campeão Baiano de Profissionais da Primeira
Divisão. O sonho se concretizou.
E José Maria continuou
presidente até o ano de 2011, após 19 anos no comando do Tigrão ilheense. Mas
não parou por aí e toda a expertise adquirida durante esse tempo à frente do
Colo-Colo e passou a prestar assessoria para organizar os clubes de futebol, na
Bahia e outros estados brasileiros, tarefa que desempenhou com muito sucesso.
No Jornalismo impresso José
Maria Almeida de Santana, ou Joseph Marie, deixou um legado pra lá de
importante nos jornais e revistas por onde passou. Mantinha colunas sociais em
veículos de comunicação em Ilhéus e Itabuna, num estilo bem diferente das
simples colunas sociais, que apenas teciam notas sobre o vestido mais elegante,
a socialite mais risonha.
Na sua coluna social
desfilavam notas da economia, destaques profissionais, notícias sobre esporte
(claro), política, e tudo mais que merecesse uma boa publicação. E àquela
época, não bastava ter informação, a notícia, seja ela qual for, teria que ter
estilo, boas histórias, com uma linguagem escorreita, dita em poucas palavras
bem colocadas.
E sua carreira nos jornais e
revistas lhe deram régua e compasso para criar o Troféu Imprensa do Sul da
Bahia, simplesmente conhecido como Troféu Imprensa do Cacau. A cada ano a
promoção era realizada numa cidade diferente e premiava os grandes destaques da
imprensa regional, dentre outras personalidades. Um convite para o evento era
uma demonstração de prestígio.
José Maria, Zé Maria, Joseph
Marie, era a mesma figura. Bem chegado com os amigos, elegante no trato e até
bem recatado, modesto, discreto com as pessoas que não conhecia. Estava sempre
pronto para atender a um amigo, servir na necessidade de um colega para
divulgar uma informação. Uma pessoa daquelas que encantam na apresentação.
Pra mim, esse foi e continua
sendo o José Maria, Zé Maria, Joseph Marie, na comunicação, no esporte, na vida
social.
*Radialista,
jornalista e advogado.

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