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| O Botafogo atravessa mais uma famosa crise interna |
Por Walmir
Rosário*
De há muito o futebol vem deixando
de ser apenas um esporte. Acredito que outros esportes também. Confesso que não
sei classificar direito a realidade atual, e diante dos estranhos acontecimentos,
tomo emprestado uma frase bem inteligente do meu saudoso amigo Carlito Alemão:
“Nesses assuntos minha burrice chega a ser científica”. E não se fala mais
nisso. Ser botafoguense não é apenas
torcer para o glorioso time da Estrela Solitária, e sim se incorporar à
esquadra vencedora por mais de um século. Acredito que incorporar é muito pouco
e o verdadeiro botafoguense se entrega de espírito, alma, o que mais por divino
exista. Desde a década de 1950 assim tenho agido, nas soberbas vitórias, nas
derrotas, muitíssimas delas roubadas. Os momentos gloriosos do
Botafogo são memoráveis e inesquecíveis por nós, ao mesmo tempo em que sabemos
relevar as fases afrontosas, que preferimos relevar, porém nunca esquecer os
motivos. E, pelo vi na imprensa, e que acabou se revelando verdade, a
contratação do péssimo técnico Tite nos remete aos períodos mais tristes e
desprezíveis do Botafogo, pelo comportamento dele em outras equipes. Mas tudo nesta vida tem um
peso e uma medida. Diferente em cada um, é verdade, mas real. Para mim, agora,
encheu as bordas, transbordou, entornou o caldo. Aguentei, ou aguentamos calado
anos de dissabores, incompetências de diretorias, esbórnias, até o momento que
tivemos a certeza que tudo aquilo de ruim era coisa do passado, lixo varrido e
jogado fora, após a SAF. Num curtíssimo espaço de
tempo verificamos que poderíamos viver nova vida, subir aos píncaros da glória
com a simples mudança de gestão. Fizemos chorar nossos adversários, levando de
roldão a imprensa comprada e doutrinada em ser, sempre, contra ao Botafogo. De
tudo fizeram para tentar diminuir o Botafogo em ascensão. E no bolo entraram,
ainda, árbitros, VARs e companhia. De pouco valeu, em apenas um
ano (2024) o Botafogo foi sagrado campeão em duas principais competições: a Copa
Libertadores das Américas e o Campeonato Brasileiro. Uma façanha daquelas que
somente o Botafogo consegue, superando uma enorme torcida do contra. Do
jeitinho que nós botafoguenses de corpo e alma gostamos. Como sempre, o Botafogo tem
uma administração que torce contra o próprio clube, fazendo-o rolar ladeira
abaixo sem qualquer controle e direção. Bastou uma briga de financiadores
sócios da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para que os dirigentes do Botafogo
Social meterem os pés pelas mãos e desmontar o time, acredito para completar o
que os donos da SAF não fizeram por completo. De minha humilde parte,
asseguro que não avalizarei as atitudes dos dirigentes do Botafogo que, ao que
parece, tentam levá-lo ao status desesperador de tempos passados, enquanto eles
nadavam de braçadas na crista da onda até chegarem ao fundo do mar. Mas podem
todos perguntar: “Quem é esse torcedor que se intitula importante? Qual o seu
currículo? Quais os cargos de prestígio que exerceu no Glorioso?”. Dentro da minha
insignificante participação no Botafogo nunca exerci cargo algum que não fosse
de torcedor. O simples pagador de ingresso no Maracanã e outros estádios
brasileiros, aquele que compra e veste a camisa do Glorioso, que refuta os
adversários de forma séria ou jocosa, a depender do momento, nos comentários ao
microfone e em páginas de jornais e sites a grandeza do Glorioso Botafogo. Garanto que não tomarei
atitudes drásticas, a exemplo do saudoso botafoguense e colega ceplaqueano Dudu
Rocha, quando me enviou a faixa do Botafogo campeão, com um memorando anexo:
“Amigo Walmir, cansei!!! Do amigo e ex-Bota, Dudu Rocha. 29-05-2008”. A
correspondência me deixou pasmo e guardo até hoje. Longe de mim cometer tamanho
desatino, até porque me confidenciou que iria torcer para outro time, o inimigo
da Gávea, aquele que desmoralizamos em campo no famoso “Jogo do Senta”, em
General Severiano. Uma vergonha os jogadores do Flamengo se sentarem em campo
quando o Botafogo vencia por 5X2, e prenúncio de uma goleada acachapante. Jamais farei isso! Apenas
farei meu protesto abdicando da gloriosa condição de torcedor do Botafogo
enquanto o tal do técnico Tite se esforçará em esfacelar o time, criando
problemas com os jogadores. Não verei um jogo sequer na televisão, nem ouvirei
uma só partida numa emissora de rádio. Portanto, nem uma pequena resenha
estarei capacitado a fazê-la. Diferente de meu saudoso
amigo Dudu Rocha, parceiro da Confraria do Alto Beco do Fuxico, continuarei
botafoguense, amando e exaltando o Glorioso de tempos passados, que tanta
alegria nos proporcionava. Como esquecer e exaltar Manga, Nilton Santos, Didi,
Zagalo, Carlos Alberto, Carlos Roberto, Jairzinho, Arlindo, Paulo Cezar Caju,
Canavieira e o inimitável Garrincha? Outros tantos jogadores que
deixei de citar aqui e fizeram a glória do Botafogo serão sempre lembrados,
pois continuam no nosso coração botafoguense. Só que daqui para a frente,
enquanto a direção social do Botafogo teimar em diminuir o Glorioso, não terá
minha participação, nem mesmo como expectador. Minha atitude não é uma encrenca
e sim respeito ao Glorioso Botafogo de todos os tempos. O tempo dirá! |

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