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| Alessandro Fernandes de Santana, Reitor da Uesc |
Por
Walmir
Rosário*
Agora
em Itabuna, estou mais perto da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc),
respirando os ares da sabedoria emanados daquele centro de conhecimento, que
vem acumulando troféus e títulos de excelência. Felizmente a Uesc tomou um
caminho bem diferente de outras instituições de ensino superior, que descem
ladeira abaixo neste Brasil contemporâneo.
De
pronto, dou pleno conhecimento público que não estou alisando os bancos de
nenhum curso superior, o que me faria bem, mas tão somente bisbilhotando o
Centro de Documentação (Cedoc). Quase todos os dias, munido de máscara contra a
poeira e ácaros, e luvas para me livrar das velhas tintas gráficas, estou espreitando,
conferindo as páginas dos jornais antigos de Ilhéus e Itabuna.
São
edições incompletas em determinados anos, mas permite pesquisar o que acontecia
em épocas passadas. As minhas visitas seriam apenas (não são mais) para rever
as glórias do futebol de Itabuna, por meio dos seus times e da eterna vencedora
Seleção de Itabuna, assuntos para futuros livros, com a missão de informar aos
que não tiveram a felicidade de viver àquela época.
Com a
mão nas páginas, relembro fatos tantos vividos pela sociedade pretérita em
Itabuna, Ilhéus e região sobre a economia, as agruras sofridas pela
cacauicultura, bem como os bons tempos em que a tonelada de cacau era vendida
nas bolsas de Nova Iorque e Londres a preços compensadores, coisa de US$ 4,5
mil até US$ 5 mil, tudo contado em dólares.
A
sociedade mantinha um padrão de vida bem confortável e Itabuna se dava ao luxo
de tocar os discos em LPs e compactos (poucos sabem o que é isso) em
lançamentos simultâneos com o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Mas como
nem tudo são flores, os protestos e reclamações apareciam estampados nas
páginas de nossos jornais sem a menor cerimônia.
O que
acontecia na política ganhava destaque, inclusive os aumentos de impostos que
pesavam sobre o cacau, figurinha carimbada nos tempos ruins, a salvação da
lavoura do governo do estado para pagar os gastos feitos em outras regiões. A
conta não era nossa, mas o governador jurava que deveria ser paga por todos. E
como o cacau faturava, sentava-se à cabeceira da mesa.
E a
Uesc vem assumindo uma responsabilidade com a sociedade sul-baiana ao guardar,
manter intacto, catalogar e disponibilizar toda a produção dos meios de
comunicação de épocas passadas, mantendo viva a história do povo grapiúna. Além
de jornais, a Uesc também registra em seu acervo a história do Poder Judiciário
em Ilhéus e milhares de documentos históricos importantes. Se tornou a guardiã
da nossa história.
No
Centro de Documentação estão disponíveis, por exemplo, os jornais Diário da
Tarde, de Ilhéus; o Tabu, de Canavieiras; o Diário de Itabuna e o Agora, de
Itabuna, este através de um esforço recíproco da sociedade. E o Reitor Alessandro
Fernandes de Santana acolheu o pleito, sensível que é aos reclames da
sociedade, sobretudo do que diz respeito às questões sociais, sobretudo à
educação.
Sei
que a Uesc muito ainda tem que caminhar, mas os louros obtidos nesse trajeto é
um sinal bastante positivo, o que nos leva a crer e vislumbrar uma universidade
“coladinha” com a sociedade. A Uesc pode e deve ser o carro-chefe do pensamento
regional, com poderes para influir na renovação da tecnologia e nas mudanças
que levem ao desenvolvimento.
O
Magnífico Reitor Alessandro Fernandes tem ao seu lado cabeças pensantes capazes
de elaborar e tocar projetos em todas as áreas do conhecimento, notadamente na
comunicação. Se a Uesc tem gente à disposição, também possui prédios herdados
do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) que podem abrigar esses novos serviços à
sociedade.
Quem
sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande projeto
disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com o que
existe de mais moderno na informática. De casa, do escritório, aqui no Sul da
Bahia, Estados Unidos ou Japão estará disponível em apenas alguns cliques.
Afinal, uma universidade é um centro de sabedoria com a missão de tornar as
pessoas mais inteligentes. E a hora é agora.
*Radialista,
jornalista e advogado.

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