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| Antes e depois de furtada a placa - montagem nas fotos José Nazal |
Por
Walmir Rosário*
Recentemente
recebi um zap do meu amigo José Nazal narrando o furto de uma placa da Igreja de
São Jorge, em Ilhéus, paróquia que está entre as mais antigas do Brasil. Só
para nos situarmos na história, ela foi criada pelo primeiro bispo do Brasil,
Dom Pero Fernandes Sardinha, aquele que foi comido pelos índios em Alagoas,
após o naufrágio do navio que o levava de volta a Portugal.
E conta
Nazal que, quando a paróquia chegou ao seu quarto centenário, em 1956, o então
bispo diocesano, Dom João Resende Costa, promoveu a realização de um Congresso
Mariano para a comemoração. Para marcar a data, assentou uma placa comemorativa
na parede frontal da Igreja, em 07 de outubro d 1956, até então Sé Diocesana de
Ilhéus.
Pois
bem, não é que às 22h05min de 07 de fevereiro último, a câmera do escritório de
Geraldo Carvalho registra o furto da placa por uma pessoa de aparência drogada.
Ao que tudo indica, buscava algo de valor para continuar na sua vida
desregrada. “Um pobre em Cristo desajustado com a humanidade”, assim citou José
Nazal, que fotografou a Igreja e a placa por diversas vezes.
Nesse
mesmo período, recebi um vídeo do pároco da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes,
em Coaraci, também aqui no sul da Bahia, no qual o Padre lamentava a
falsificação de bilhetes do caruru da Festa da Padroeira. Mais de 150 bilhetes
foram vendidos pelos falsificadores – sem a menor cerimônia – na comunidade
católica.
Visivelmente
acabrunhado pela ação dos falsificadores, o padre mandou um recado para eles –
os falsificadores – comentando os castigos divinos em que poderiam ser
penalizados, além dos impostos pelos homens. “Quero dizer que as pessoas que tiveram
a coragem de fazer isso esperem a torradeira do inferno, para que um dia sejam
queimadas, por cometerem um crime inconcebível”, desabafou.
Como
se esses crimes cometidos contra o respeito com a Igreja fossem poucos, em
cerca de três meses a Igreja de São Judas Tadeu, em Itabuna, sofreu a ação do
amigo do alheio. Mesmo equipada com câmeras de vigilância, os larápios
retiraram fios da rede elétrica. Um desses furtos foi feito assim que o
eletricista recuperou a rede elétrica da igreja, e sem a menor preocupação.
A
cada instante somos surpreendidos por atos e fatos que nos deixam assombrados
com a banalização dos costumes e até mesmo da própria vida, desvalorizada ao
extremo. Os valores religiosos e morais são alvo de zombarias e vandalismo a
todo o momento, como se tivéssemos sofrido um apagão em nossa memória.
Fomos
acostumados a crer e respeitar a família, nossos semelhantes, e o que é
considerado sagrado. Todas as divergências entre religiões eram toleradas,
embora cada grupo defendesse sua crença internamente, considerando a vida em
sociedade. Claro que cito exemplos de modo geral, embora as diferenças de
alguns tenham chegado ao extremo, por vezes.
Cada
grupo obedecia aos seus princípios, suas regras, sua ética ou convicções morais
criadas ou impostas pelas autoridades dominantes. No tocante às religiões, as
igrejas ou locais de reuniões sempre foram respeitados, intocáveis, mesmo por
aqueles tidos como foras da lei, embora tementes a um Ser superior: Deus e os
santos católicos.
Exemplos
mais práticos como o que citei acima podem ser verificados nos casos de grupos
armados, como os cangaceiros do Nordeste brasileiro, notadamente o liderado por
Virgulino Ferreira, o Lampião. Seus atos de violência física ou os saques
praticados em cada cidade se restringiam às residências e as igrejas eram
preservadas por temor a Deus.
Com o
tempo, esse costume vem mudando – cada vez mais rápido. No meu entender, é o
embrutecimento da sociedade, provocado pela perda da sensibilidade espiritual,
na mesma velocidade em que são desfeitas as famílias. Hoje o homem faz pouco
caso da justiça divina, com ações egoístas, ausência do respeito ao próximo,
arrogância e a falta de Deus no coração.
Esses
atos de vandalismo – crimes, mesmo – são praticados sem a menor cerimônia, pois
nem sempre existe o cumprimento da pena ao violador do patrimônio alheio. Na
minha visão, a banalização do crime pelo Estado incentiva, ainda mais, o
retorno do criminoso a agir criminosamente com mais tranquilidade, por ser
considerado de menor potencial ofensivo.
Se
por um lado não existe o temor do Estado contra seus atos aqui na terra, menos,
ainda, o temor do juízo divino, sobretudo pelo distanciamento de Deus,
levando-o ao pecado desenfreado. A falta ou desvirtuamento da família dá a
sensação de que tudo é permitido, o que é corroborado pela falta da chamada
punição dos homens.
*Radialista,
jornalista e advogado.

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