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| A representação do poeta Telmo Padilha em escultura |
Por
Walmir
Rosário*
Ainda
em tempo Itabuna sai do rol dos inadimplentes ao prestar uma justa homenagem ao
poeta itabunense Telmo Fontes Padilha. Dívida antiga, mas que começa a ser honrada,
do jeito que merece o “poetinha”, como carinhosamente o chamávamos. Um
intelectual que gostava do povo, de sua cidade e que muito contribuiu para a
arte e cultura.
Nesta
quinta-feira (26), finalmente, foi inaugurado o Palco da Poesia, com um mosaico
de 150 poetas de Itabuna, e a peça central é uma escultura concebida e executada pelo
escultor Diovane Tavares, homenageando o poeta Telmo Padilha. A obra foi construída
numa parceria entre o Clube do Poeta (que administrará a área) e a Prefeitura
de Itabuna, na Orla do Berilo, um dos points da boemia itabunense, com a
presença da família do poeta.
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| Poeta Telmo Padilha |
Nascido em Ferradas (antigo distrito e hoje bairro de Itabuna) em 05 de maio de 1930, Telmo Padilha nos deixou em 17 de julho de 1997, num trágico acidente na BR-101, entre Buerarema e Itabuna. Nesses 67 anos fez acontecer como pessoa, menino, gente grande, poeta, jornalista, um amigo daqueles que gostamos do fundo do peito. E a recíproca era verdadeira, com toda a sua elegante simplicidade.
Apesar
de nos deixar drasticamente, continuou sendo aquela figura inesquecível, sempre
a nos brindar com sua poesia, sua prosa, textos jornalísticos irretocáveis, de
tamanha elegância e graça, como exaltava Onaldo Xavier. Não sei se cabe aqui ressaltar
que em Telmo Padilha a vida e a arte eram uma só, sem imitações.
Tomo
a cumplicidade de Onaldo Xavier para expor o que disse no Prefácio de Canto de
Amor e Ódio a Itabuna: “A poesia de Telmo é seu retrato por inteiro e ele
poetizava para todo o mundo, e sua terra, como um eterno poema, não poderia ser
esquecida. No poema de abertura, tal qual um épico camoniano, o autor discorre
em momentos belíssimos, coroados com sentimentos diversos de amor, alegria,
beleza, raiva, incompreensão e compaixão sobre sua cidade, como a querer prestar
contas com ela...”, ressaltou.
“As raízes deste poema estavam dentro de mim
e eu o escrevia ou ele me arrebentava, era
preciso
expulsá-lo como invasor intruso de fundas
lembranças e mágoas passadas e presentes, e
a
úlcera untei de unguento para não soçobrar
em
seu curso, e palavras amotinei para domá-lo,
e
as rédeas ele me tomou como negro cavalo de
crinas
eriçadas e nervosos cascos, e já não era eu
em mim mas a cidade em meu corpo, estuário
de
incandescentes larvas, ciclotímico rio de
quedas e
remansos, na direção de um tempo
incontrolável e
sem fronteiras.”
É a
Itabuna de Ferradas, onde nasceu, cujas pessoas conservam a pureza no modo de
andar, na forma como olham as pessoas. É a Ferradas quem mantém a casinha de
poucos cômodos onde nasceu. Colada à igreja. Aos quatro anos veio para Itabuna,
a sede do município, exatamente para a rua da Jaqueira (hoje Fernando Cordier),
em frente ao rio Cachoeira.
A
mesma rua da Jaqueira cheia de árvores frutíferas – com mangas, laranjas,
pitangas, jambos, sapotis nos galhos. A primeira morada, por sinal, é bem
pertinho da atual “Orla do Berilo”, ali na cabeceira da ponte Lacerda, onde o
poeta Telmo Padilha pousa de estátua. Um local onde se reúne a boemia, os
artistas de todas as vertentes culturais a declamarem poesias.
Mas o
Telmo não é só poesia, é prosa, é jornalista em busca de reportagens em Ilhéus
e Itabuna, com uma passagem relevante em jornais e revistas no Rio de Janeiro,
ao lado dos conterrâneos grapiúnas Adonias Filho e Hélio Pólvora. Na terra
carioca poetou, participou de eventos literários, construiu amigos importantes
e letrados.
Tristão
de Athayde, Raquel de Queiroz, Mário Quintana, Jorge Amado, Carlos Drumond de
Andrade, João Cabral de Melo Neto, dentre outros os citam como um dos mais
importantes poetas líricos do Brasil. Publicou 38 livros, deixou outros 11
ainda inéditos, e suas obras correram o mundo em português, inglês, francês,
italiano, alemão, espanhol e japonês.
Ganhou
prêmios importantes como o Jabuti de Poesia, foi feito Doutor Honoris Causa pela hoje Universidade Estadual de Santa Cruz
(Uesc), que ajudou a implantar, descobriu e despertou talentos. Contratado pela
Ceplac dirigiu o PACCE – Projeto Artístico e Cultural Cacau Europa, com a
participação do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CCPC) e o Sistema
Coopercacau – Cooperativa Central do Cacau.
E
Telmo Padilha chacoalhou a cultura do Sul da Bahia com lançamento de livros de
novos escritores, vernissages e demais eventos culturais aqui no planeta cacau
e até na Suíça. Em 23 de agosto de 1987 Telmo Padilha morre um pouco com o
passamento do seu filho Paulo, e escreve Provação – Solidão – Angústia –
Saudade – Lágrima. Poemas Póstumos.
Telmo
Padilha foi casado com Ecy Padilha, com quem teve os filhos Luísa, Fernanda,
Cláudia, Clara e Paulo (in memoriam).
Radialista,
jornalista e advogado.
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| O escultor Diovane Tavares e o poeta Telmo Padilha |
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