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| O maestro Arnaldo Dias atua na formação de novos músicos |
Por
Walmir
Rosário*
Atualmente
pouquíssimas instituições beneficentes conseguem sobreviver prestando serviços
aos seus associados e à comunidade em geral. Em Itabuna, uma delas, a Sociedade
Montepio dos Artistas de Itabuna, caminha em sentido contrário e pretende
comemorar seus 107 anos de fundação em 1º de novembro de 2026 em perfeita
sintonia com as propostas do seu Estatuto.
As
dificuldades são enormes, ressalta o presidente da Assembleia Geral da
Entidade, José Vanderley Borges de Sousa (Vando), mas, apesar dos percalços,
estamos conseguindo promover uma reestruturação. Para o presidente, com as
mudanças nas áreas da assistência e da previdência, muitas das atribuições
beneficentes do Montepio perderam espaço, e com isso recursos para atuação.
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| O presidente do Montepio, José Valderley (Vando) |
O
ensino da música aos artistas e operários se tornou uma tradição do Montepio,
por meio da Filarmônica Euterpe Itabunense, que se rivalizava com outras
coirmãs pela distinção dos fardamentos e qualidade dos músicos e repertório. No
calendário das apresentações, o dia 19 de março (Padroeiro de Itabuna, São
José), 1º de Maio (Dia do Trabalhador), 28 de Julho (Dia da Cidade), 7 de
Setembro, dentre outras ocasiões festivas.
Pela
Filarmônica Euterpe Itabunense passaram regentes e músicos conceituados. Dentre
os mais recentes, o maestro Zózimo, o sargento PM e maestro Carlos, o maestro
Heleno e Wellington Quintas, este falecido recentemente. Outro destaque é o professor
Adilson Alves dos Santos (Dilsinho), representante da Ordem dos Músicos do
Brasil em Itabuna e região.
E a formação
dos novos músicos continua sendo das atividades prioritárias da diretoria do
Montepio. Atualmente quem comanda a educação musical dos futuros músicos é o
maestro Arnaldo Dias, profissional com mais de 52 anos de experiência
profissional em instrumentos e arranjos musicais de filarmônicas, bandas e
orquestras.
O
maestro Arnaldo Dias, com passagem na extinta Filarmônica Carlos Gomes (Itabuna),
na Banda Los Tropicanos; na Banda Solo, na Banda Lordão por 30 anos, nesta
responsável por tocar instrumentos de sopro e escrever os arranjos. Longe de
pensar em aposentadoria, aceitou o convite do presidente José Vanderley para
dinamizar a Filarmônica Euterpe Itabunense.
Atualmente
o professor Arnaldo Dias é responsável pela capacitação da turma de jovens, aos
sábados, que não se limitar a formar profissionais da música, mas cidadãos bem
postos na sociedade, como faz questão de completar. “Eles chegam aqui com muita
vontade de aprender, muitos deles com o sonho de tocar determinados
instrumentos, o que mostra que são vocacionados”, conta o maestro Arnaldo.
Dentre
os instrumentos preferidos entre os jovens estão o saxofone, trompete, flauta e
clarinete. Assim que chegam, verificamos a intimidade com o instrumento e
oferecemos algumas opções, a depender do que cada um pretende seguir no futuro.
Como exemplo, o clarinete e o bombardino são dispositivos que requerem leitura
mais apurada, notadamente nas filarmônicas.
Outro
desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias foi
reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito com treinamento
dos músicos. Na opinião do maestro, os músicos disponíveis na instituição são
excelentes para uma orquestra de câmara, mas ainda não possuem treinamento em
filarmônica.
A
grande diferença é que na orquestra de câmara os músicos tocam seus
instrumentos sentados ou em pé, mas parados, enquanto na filarmônica eles
precisam se movimentar, tocar andando. Outras diferenças são a quantidade de
músicos, menores na orquestra de câmara e maiores na filarmônica; bem como o
repertório, peças para grupos menores na câmara, enquanto grandes sinfonias na
filarmônica.
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| Filarmônica Euterpe Itabunense em 1936 |
O
presidente José Vanderley ressalta o esforço hercúleo que a Sociedade Montepio
dos Artistas de Itabuna vem empreendendo para transformar, com parcos recursos,
a realidade da juventude itabunense. “Ele chegam aqui entusiasmados com o que
pode acontecer em suas vidas, e com certeza ganharão uma profissão e realizarão
seus sonhos como artista”, resume o presidente da Assembleia Geral do Montepio.
*Radialista,
jornalista e advogado.
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