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| O cacau sempre foi a salvação da "lavoura" baiana |
Por
Walmir
Rosário*
A
escolha de um prefeito para compor a futura chapa do pré-candidato ACM Neto deu
o que falar e fez muita gente lembrar a volta do municipalismo na Bahia. Políticos
e jornalistas falam da coincidência entre 1962, quando Antônio Lomanto Júnior
se candidatou a governador da Bahia, numa época de crise financeira profunda do
Estado baiano, e agora com a escolha do pré-candidato a vice-governador, José
Cocá, prefeito de Jequié.
Os
tempos e as dificuldades não são iguais, mas amedrontam os baianos, especialmente
os do Sul da Bahia, cansados de contribuir para o orçamento estadual, embora as
contrapartidas, historicamente, tenham sido pífias. Se antes os sul-baianos
possuíam representantes na Assembleia Legislativa e Câmara Federal, hoje a
situação é inversa, representatividade quase zero.
Mas
voltando ao ex-governador Lomanto Júnior, em suas entrevistas, muitas das quais
participei, ele nunca escondeu que o Sul da Bahia – a região cacaueira – sempre
era lembrado na hora de pagar as contas do Estado. E dizia sem qualquer
cerimônia que os tributos do cacau eram sempre a bola da vez para honrar o
pagamento dos professores baianos e outras despesas.
E
Lomanto passava a explicar as dificuldades de governar um estado sem a
industrialização de hoje, principalmente na região metropolitana de Salvador,
especialmente o Polo Petroquímico, agora um grande contribuinte, mas construído
com os recursos do cacau. “Tínhamos que tomar uma atitude diante do clamor dos
secretários, entre eles com mais frequência o da Educação, para honrar os
salários”, desabafava.
A
título de lembrança, ao longo do tempo o Sul da Bahia não foi a “menina dos
olhos azuis” dos governantes baianos, com poucas exceções, apesar do rico
potencial de receber investimentos. Agricultura, turismo, industrialização,
comércio e serviços, dentre estes a saúde de ponta, que poderia ser transferida
para a população desprovida de grandes recursos.
Crises
cíclicas no Sul da Bahia são frequentes, embora não alcancem a repercussão
necessária para a vinda dos investimentos públicos e privados necessários. Os
debacles da cacauicultura – importante matriz econômica – são frequentes e a
única solução apresentada é de que é coisa de mercado internacional. Vale o
mesmo que solução de difícil solução, ou sem solução.
Se
buscarmos os acontecimentos de épocas pretéritas, em 8 de novembro de 1960, o
Diário de Itabuna publicou na segunda manchete da primeira página: “UMA NOTÍCIA
APAVORANTE – o estado, deficitário, procura fontes de rendas mas erra quando só
encontra a lavoura cacaueira”. E discorre que o sul-baiano não é inconsciente,
sabe das aperturas do Estado, às voltas com um déficit tremendo neste ano.
E
continua comentando de que os encargos são cada vez maiores quando deverá
reajustar os vencimentos dos funcionários. “É justo que o Estado procure se
defender, provoque fontes de renda, mas não é justo também que seja a lavoura
cacaueira a visada em todos as ocasiões em que o Estado precise de aumentar
rendas”.
“O
deputado Honorato Viana, velho conhecedor do sistema tributário baiano, visando
dar meios ao Estado para suas obrigações, quer aumentar em 300% o imposto
territorial, sem se importar que estamos em um ano de crise e que um aumento
desse porte virá criar mais e pesadas obrigações para os cacauicultores. Será
cobrir um santo para descobrir outro”.
O
abusivo aumento do tributo movimentou os cacauicultores em assembleias e
decidiram ir a Salvador para expor a difícil situação de insolvência. “A
lavoura precisa defender-se com inteligência e coragem, sem se afastar, porém,
da ajuda devida do Estado. Uma fórmula precisa ser encontrada”, diziam.
E a
sugestão ao Estado foi, de que ao invés do aumento dos impostos, seja feita até
uma redução, com fiscalização honesta, para que ninguém se furte ao pagamento
correto. Já que a Bahia sofria por falta de arrecadação, se todos pagassem o
devido o Estado não estaria deficitário. Para tanto, seria preciso que os
fiscais recebam seus ordenados, e que fossem demitidos sumariamente no
cometimento de faltas.
Para
o articulista do então Diário de Itabuna, a evasão de rendas do Estado,
revisitada, cobriria os déficits e poderia até duplicar a renda. “No setor
transmissões, por exemplo, a coisa é vergonhosa. “O Estado deveria diminuir
esse imposto para ficar moralmente com razão de cobrá-lo inteiramente. O que se
vê é a sonegação bárbara 10 vezes menos do valor verdadeiro dos imóveis
vendidos”.
“Com
pouca coisa o Estado remediará sua situação, agindo com sinceridade, com
justiça, dando um imposto digno para que receba em paga também dignidade, não
se furtando ninguém a pagar o devido”. Ao que parece, até agora o Estado (três entes
federativos) não se dignaram a empreender uma reforma como a proposta naquela
época e continuam criando problemas insolúveis. Aliás, tentam resolvê-los com infindáveis
empréstimos.
A
proposta do municipalismo é excelente para solucionar os problemas na ponta de
contribuição, embora saibamos ser difícil de implantada, pois o Estado e o
Município estão sempre de pires na mão, mendigando seus recursos à União. Daí,
os que não ficarem pacientemente na fila do apoio incondicional não serão
beneficiados. É assim que a banda sempre tocou...
*Radialista,
jornalista e advogado.

Mas rapaz , foi só falar no Lomanto que me veio a música da sua campanha eleitoral, devia ter 8 pra 10 anos e lembro até hj , a música virou uma " cachaça " 😂
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