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| Betinho, goleiro do Itabuna Esporte Clube, no Meu time de Fé |
Por
Walmir
Rosário*
O
senhor Albertino Pereira da Silva não se encontra mais entre nós. Deixou
saudades. Partiu para outro plano, outro oriente, o céu ou qualquer outro local
de denominação pra mim desconhecida. Mas Betinho permanece em nossos corações,
nossas mentes, personagem que foi de filmes que assistimos, ao vivo, nos campos
de futebol, com mais intensidade em Itabuna e Ipiaú.
Era o
Betinho goleiro famoso pelas suas defesas, muitas delas consideradas
impossíveis. Corpo de atleta (como deveria ser), mãos enormes (próprias de um
goleiro), ousado ao se atirar para pegar a bola que corria à frente dos pés ou
na cabeça do atacante. Medo era uma palavra que tinha riscado do seu dicionário
há muito tempo.
Alguns
cronistas e torcedores comparavam seus “voos” ao pulo de um gato, daqueles que
caem sem perder a pose, muito menos a bola. Lembro-me de Betinho quando trazido
para o Janízaros de Itabuna por Zelito Fontes e Gerson Souza. De cara, subiu no
mesmo pedestal dos grandes goleiros de Itabuna, como Carlito, Asclepíades,
Plínio, Luiz Carlos, Ivanildo, Antônio Pires, e outros.
Em
sua primeira chegada era um moço simples do interior, não bebia nem fumava
(hábitos adquiridos por essas bandas) e se preocupava apenas com o futebol.
Quando abria os braços crescia na frente do atacante como se fosse um passe de
mágica para fechar o gol. Pouco se importava com a fama ou conceito do
adversário, sua função era não deixar a bola entrar nos três paus.
Com o
tempo deixa Itabuna e corre cidades defendendo equipes, a exemplo do
Independente de Ipiaú, no qual foi titular do time bicampeão. Na sua segunda
passagem em Itabuna, atuou como profissional no Itabuna Esporte Clube de 1967,
ao lado de Luiz Carlos, dois excelentes goleiros.
No
Itabuna de 1970, no primeiro jogo do campeonato baiano, em Vitória da
Conquista, mostrou quem era. O centroavante passa mal e o presidente Gabriel
Nunes solicita a Betinho que dê seu lugar no gol para Luiz Carlos e colabore
jogando no ataque. Betinho nem pensou duas vezes e trocou sua camisa 1 pela 9.
Em sua estreia pouco pode fazer e o Itabuna foi derrotado por 2X0 para o
Vitória da Conquista, e Betinho mostrou muito além do seu profissionalismo.
Numa
certa feita, a equipe do Santos, de Pelé, Pepe, Coutinho, Gilmar, Zito e todos
os cobras vem se apresentar em Ilhéus contra o selecionado local. Apesar da
rivalidade com os futebolistas de Itabuna, os dirigentes ilheenses pedem aos
itabunenses a participação de Betinho no encontro. E Betinho jogou como
Betinho, defendendo bolas dos melhores craques brasileiros.
Numa
certa feita, mandou seus colegas saírem da barreira, isso numa falta que seria
batida por Pepe, o Canhão da Vila Belmiro, que não contou conversa e bateu a
falta na gaveta. Tarde chuvosa, bola pesada, pouco importava para Betinho, que
voou como um gato e caiu com a bola nas mãos (em frangalhos), para surpresa dos
santistas.
E não
era pra menos, pois poucos goleiros tinham a coragem de mandar abrir a barreira
numa cobrança de Pepe. Assim que caiu com a bola grudada nas mãos, ao seu lado
estava Pelé, querendo a sobra para marcar o gol. Vendo Betinho ao chão, deu a
mão e falou para Betinho: “Levanta, goleirão, que eu vou lhe levar para jogar
no Santos”.
Poucos
dias depois, chegam o chamado e as passagens. Era a glória de qualquer jogador
ser convidado para jogar no Santos, às vésperas da Copa do Mundo de 1970, mas Betinho
não se amoldou às condições da Vila Belmiro e foi dispensado. Ainda jogou pelo
Olaria do Rio de Janeiro e peregrinou por vários clubes menores.
O
Albertino Pereira da Silva não ajudou o goleiro Betinho quando mais ele
precisava. Por mais incrível que pareça, o jogador de futebol não depende
somente de sua atuação em campo, driblando, fazendo as melhores jogadas,
marcando gols de placa e defendendo outros tantos. O atleta tem que ser ajudado
pelo cidadão. Mas valeu tudo o que Betinho fez em campo para a nossa alegria,
hoje guardada em nossa memória.
*Radialista,
jornalista e advogado

Grandes recordações. Assisti ao vivo e a cores
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