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| Em pé: Bita, Americano, Carlinhos Pirata, Arnaldo Badaró, Itajaí e Boinha; Agachados: Pingo, Vilson Longo, Mourão, Esquerdinha e Luiz Roberto |
Por Walmir Rosário*
Pouquíssimos jogadores de futebol foram aquinhoados
com a felicidade de serem convocados para duas seleções, e dentre os notáveis
estão Ferenc Puskás (Hungria/Espanha), Mazzola (Brasil/Itália), Robert
Prosinečki (Iugoslávia/Croácia), Thiago Motta (Brasil/Itália) e Diego Costa
(Brasil/Espanha). Eles aproveitaram a dupla nacionalidade ou a dissolução de
países. Eu ainda incluo Evaristo Macedo no Barcelona e Real Madrid.
Mas não só exemplos famosos do futebol internacional
podem ser incluídos nesta seleta lista. Um grapiúna – itabunense de quatro
costados – tem lugar entre os especiais: José Itajaí Andrade Teixeira, nos
campos de futebol simplesmente Itajaí, que jogou pela Seleção de Ilhéus e, em
seguida foi convocado para a Seleção de Itabuna, a Hexacampeã baiana.
Sem qualquer paixão ou proselitismo, podemos
considerar a participação de Itajaí nesta seleta lista – guardada as devidas
proporções –, por se tratar de um jogador amador, portanto exposto à paixão dos
torcedores devido à rivalidade entre as duas cidades. A convocação nas duas seleções
foi motivada pelo futebol técnico e sério que jogava.

Em pé: Luiz Carlos, Santinho, Itajaí, Régis, Déri e Ronaldo;
agachados: Neném, Valdemir, Bel, Danielzão e Evaristo
Vou logo alertando ao torcedor mais jovem que para
enfrentar a vibrante, numerosa e apaixonada torcida daquela época era preciso
que o jogador possuísse domínio dos nervos, em campo ou fora dele. A primeira
palavra que saia da boca de um apaixonado – melhor dizendo, fanático –
torcedor, era traidor da pátria, seguida de xingamentos nada amistosos.
No caso de Itajaí, pelo seu comportamento durão,
daqueles que não leva desaforo para casa, o oponente pensava duas vezes antes
de atacá-lo, pois a resposta vinha pronta, sem pestanejar. Mas os explosivos
torcedores aguardavam outras oportunidades para lançar os impropérios, principalmente
quando separados pelo alambrado que divide o gramado da torcida.
Itabunense, Itajaí foi morar em Ilhéus por decisão
da família para estudar o ginásio, no final da década de 1950. É aí que o um
tio morador em Ilhéus e diretor do Vitória ilheense, o convida para residir com
ele na vizinha cidade. Convite aceito por ele e a família, Itajaí nem bem se
ambienta na nova cidade, recebe o convite para treinar no time, ocupando a
mesma posição da equipe anterior: zagueiro.
No Vitória, inicia o treinamento e no primeiro jogo
– num domingo –, na primeira bola em que pega um jogador adversário lhe dá um violento
pontapé no tornozelo, que virou o pé. Ao voltar pra casa sua tia Djalma, que
era muito enérgica disse que iria tratá-lo, mas quando estiver restabelecido,
teria que fazer a mesma coisa com ele, se não irá apanhar.
Após passar 20 dias imobilizado (no gesso) Itajaí
retorna aos treinamentos e ao disputar uma bola com o mesmo adversário não se
contem e vai a forra, numa disputa mais enérgica e aplica um leve bico de
chuteira no joelho do colega, tirando a rótula de lugar. E Itajaí diz que ele pagou
na mesma moeda. Em seguida se arrepende de ter ido à forra, mas ressalta que
serviu como lição.
Meses depois, num treino do Vitória, o técnico
escala oito aspirantes para jogar contra o quadro titular, no qual jogava
Sílvio Mário. “Marquei ele que não andou em campo”, lembra Itajaí. E essa
partida foi fundamental para que iniciasse a jogar de quarto zagueiro no time
titular. Daí foi um pulo para ser convocado para a Seleção de Ilhéus, na qual
jogou de 1960 a 1962.
De volta a Itabuna, Itajaí é convidado para jogar
no Fluminense e fecha um contrato no valor de Cr$ 50 mil (Cinquenta mil
cruzeiros), com o diretor Davi Pinheiro, o que era considerada uma boa fortuna.
O compromisso era jogar um ano pelo Fluminense amador. Cheque na mão procura o
tio Zelito Fontes e comprou 83 bezerros, com direito a pasto grátis.
E não deu outra, também foi convocado para a
Seleção de Itabuna, o que despertou a ira dos torcedores ilheenses, logo na
primeira partida disputada entre as duas seleções rivais. E como o noticiário
da imprensa – jornais e rádios – era motivo de discussão entre os torcedores, a
primeira partida “pegou fogo” com Itajaí na quarta zaga da seleção itabunense.
Embora os debates entre os torcedores “incendiavam”
as duas cidades, no meio dos jogadores o clima era ameno, pois eram amigos fora
de campo, embora não houvesse regalias dentro de campo. Eram adversários. Certa
feita um jogador ilheense chegou a lhe confidenciar que alguns torcedores lhe
procuraram em particular, oferecendo uma boa soma em dinheiro para que quebrasse
a perna do “traidor” Itajaí. E tudo terminou em risadas.
Na Seleção de Itabuna e nos clubes Itajaí era
titular e jogou as grandes decisões do Campeonato Intermunicipal, no qual o selecionado
itabunense foi hexacampeão baiano de amadores. E Itajaí diz com toda a tranquilidade
que eles entravam para decidir o jogo, em Itabuna e nos campos dos adversários,
pois eram os melhores da Bahia.
Aos 26 anos Itajaí resolve se aposentar do futebol quando
jogava para o Itabuna Esporte Clube, já profissional. Daí se dedicou à carreira
de bancário e, posteriormente, empresário da comercialização de cacau,
cacauicultor, pecuarista e industrial do leite. Itajaí lembra com satisfação o
período em que jogou futebol e foi um dos líderes daquelas equipes vencedoras
que tantas alegrias proporcionaram à torcida itabunense.
*Radialista, jornalista e advogado

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