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| Sílvio Porto |
O texto “O futebol é uma
caixinha de memórias”, de Joaquim Ferreira dos Santos, parte de uma ideia
simples e poderosa: o futebol sobrevive menos pelos resultados do que pelas
lembranças que desperta. Mais do que um esporte, ele funciona como um grande arquivo
afetivo da vida brasileira.
A crônica mostra que cada
torcedor guarda sua própria coleção de memórias: o primeiro jogo no estádio, o
radinho de pilha, a narração inesquecível, um gol improvável, a camisa herdada
do pai, a derrota que nunca cicatrizou ou o título que reuniu a família
inteira. O futebol acaba sendo um marcador do tempo, capaz de fazer uma pessoa
lembrar não apenas de uma partida, mas de uma fase inteira da vida.
Essa visão dialoga com um
conceito importante da história cultural: a memória é seletiva e afetiva. Não
recordamos apenas os fatos, mas os sentimentos associados a eles. No caso do
futebol brasileiro, a imprensa e a cultura ajudaram a construir uma memória
coletiva que reforça identidades, heróis e emoções compartilhadas.
Uma reflexão
A crônica nos lembra que,
com o passar dos anos, o placar perde importância. O que permanece são as
histórias.
Não nos lembramos apenas
do gol de Pelé, do drible de Garrincha ou da arrancada de Ronaldo Nazário.
Lembramo-nos de quem estava ao nosso lado naquele momento, da voz do narrador,
da camisa vestida, da rua enfeitada e da emoção compartilhada.
Talvez por isso o futebol
seja um patrimônio cultural. Ele organiza nossas lembranças como poucos
fenômenos sociais conseguem fazer. Cada geração tem seus ídolos, mas todas
carregam a mesma capacidade de transformar noventa minutos em memórias para uma
vida inteira.
Como dizia Nelson
Rodrigues, o futebol nunca foi apenas futebol. É uma narrativa sobre quem
somos. E, como sugere Joaquim Ferreira dos Santos, é também uma imensa caixinha
de memórias, que abrimos sempre que a saudade pede a bola para rolar.
Meu amigo Tasso escreve
seus livros com a inspiração que Joaquim descreve muito bem.
Valeu Tasso!
*Médico

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