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| A goleada lendária com 7 gols de Florizel |
Por
Walmir
Rosário*
Digo
e repito que a vergonhosa derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo,
em 8 de julho de 2014, pelo placar de 7X1, no estádio Mineirão, ainda é vista pelos
futebolistas como o fim do mundo. Não nego que foi humilhante, mas nada que
abalasse a estrutura do futebol. Em Itabuna foram registrados dois feitos bem
maiores e melhores que esse dos alemães, e com pioneirismo.
Bastava
uma simples consulta aos anais do futebol de Itabuna – para comparar os feitos –,
que a diferença favorece os grapiúnas por larga vantagem. E isso é só o começo.
No dia 21 de abril de 1961, data em que se homenageia Tiradentes, o Janízaros
goleou o Flamengo (ambos itabunenses) pelo expressivo placar de 7X1, feito
considerado marcante no futebol.
Mas
aí o distinto leitor pergunta: Qual a diferença nos dois 7X1? Elementar, os 7
gols foram marcados pelo atacante Florizel, façanha considerável, mesmo num
jogo amistoso em que as duas equipes itabunenses pretendiam apresentar seus
novos jogadores para o campeonato de 1961. Já a Alemanha precisou de cinco
jogadores para marcar: Müller, Klose, Kroos (2), Khedira, e Schürrle (2).
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| Humberto, Luiz Carlos, Ronaldo, Valdemir, Santinho e Albérico; Gagé, Zequinha Carmo, FLORIZEL, Tombinho e Fernando Riela. |
Na
partida em Itabuna, para não perder de zero, o capitão do Flamengo, Zequinha
Carmo marcou o gol de consolação. E para a Seleção Brasileira marcou o único
tento o jogador Oscar, no finzinho do jogo. Do que fica registrado nas duas
partidas, está por mais evidenciada a superioridade do time e jogador
itabunense, que marcou sozinho todos os gols da partida.
Na
semana que antecedeu ao jogo, a imprensa promoveu a partida com entrevistas dos
jogadores e dirigentes, cada qual prometendo demolir seu adversário. Assim que
o árbitro Pedro Mangabeira iniciou a partida os dois times evitaram partir para
o ataque, estudando atentamente o adversário. Até os primeiros 15 minutos, apenas
uma bola foi chutada no gol do Janízaros.
A
partir de então, o Janízaros cresceu no jogo e um petardo desferido pelo
centroavante Florizel derrubou a casa do Flamengo. A torcida ainda comemorava
quando Florizel marca o segundo gol, que valeu como uma ducha fria nos
flamenguistas. No segundo tempo o Janízaros se impõe em campo e esmorece a
turma rubro-negra.
A
partir daí foi uma sequência de cinco gols de Florizel para completar a “conta
do mentiroso”, embora todos os 7 gols tenha sido de verdade. E as novas
contrações do Janízaros – Zé Hamilton, Santinho, Albérico, Fernando Euvaldo e o
goleiro Luiz Carlos, que sequer entrou na partida – mostraram que não chegaram
para brincar. Já no Flamengo estrearam o ponteiro Valter, o zagueiro Petito e o
meia Arevaldo, que tomaram ciência da responsabilidade.
O
Janízaros jogou com Toinho, Zé Hamilton, Alfredo e Almir; Aranha (Albérico) e
Santinho; Fernando Euvaldo, Rochinha, Florizel, Xavier (Vitório) e Evaristo. Já
o Flamengo atuou com Asclepíades (Zé Carlos), Péricles, Petito e Nélson; Odiel
e Abiezer; Valter (Carrapeta), Arevaldo, Zequinha Carmo, Tombinho e Codinho. A
renda somou 15 mil Cruzeiros.
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| Bel passou a ser conhecido como "Seu Sete da Lira" pelos 7 gols |
Explicando
melhor, é que 7 dos 9 gols do Itabuna foram marcados por um só jogador, o meio
campista Bel (Abelardo Brandão Moreira, de origem itajuipense). Para os que não
conheceram, a cidade de Itajuípe era pródiga em exportar bons jogadores
amadores, mas deram azar de jogar contra o Itabuna profissional, cheio de
craques e técnicas táticas e físicas. Depois, só a espetacular comemoração no
Bar de Carcará.
Então,
daqui pra frente é bom que fique registrada a superioridade de Itabuna sobre a
Seleção Brasileira, e que o feito alemão em solo mineiro não campeie como sendo
um fato histórico único neste Brasil brasileiro. Nada mais justo do que
registrar essas duas partidas como consagrados e reconhecidos atos memoráveis
do futebol itabunense.
*Radialista,
jornalista e Advogado.



Material informativo de excelente conteúdo. Parabéns Professor.
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